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24 de fevereiro de 2026

CONSULTA E PROCESSO DE ENFERMAGEM NA ESTÉTICA: FUNDAMENTO CIENTÍFICO DA PRÁTICA SEGURA E DE ALTA PERFORMANCE

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Camila Machado

A Enfermagem Estética contemporânea exige muito mais do que domínio técnico de procedimentos. Exige raciocínio clínico, responsabilidade ética e tomada de decisão baseada em evidências. Nesse cenário, a Consulta de Enfermagem, estruturada pelo Processo de Enfermagem, ocupa papel central na prática segura, previsível e qualificada.


Na estética, não tratamos apenas queixas visuais. Tratamos tecidos vivos, respostas inflamatórias, processos metabólicos, hormonais e emocionais. A beleza sustentável é consequência do equilíbrio biológico, e esse equilíbrio só pode ser identificado por meio de uma avaliação clínica criteriosa.


A consulta não é uma etapa burocrática nem um simples pré-procedimento. Trata-se de um ato clínico completo, no qual o enfermeiro exerce seu papel de profissional da saúde, identificando riscos, contraindicações, prioridades terapêuticas e limites de intervenção.


Rugas, flacidez, melasma, acne, gordura localizada ou alopecia são manifestações de processos fisiológicos mais amplos. Reduzi-las a uma demanda estética isolada compromete a segurança do paciente e a efetividade dos resultados. A consulta permite transformar a estética em cuidado integrativo, baseado na individualidade biológica de cada pessoa.


A Coleta de dados é a primeira etapa do Processo de Enfermagem e deve ser ampla, detalhada e sistematizada. Na estética, a anamnese precisa contemplar não apenas o histórico estético, mas também aspectos clínicos, comportamentais e psicossociais.


Devem ser investigados: histórico de saúde, uso de medicamentos, alergias, cirurgias, rotina alimentar, sono, hidratação, funcionamento intestinal, atividade física, uso de suplementos, exposição solar e rotinas de autocuidado facial, corporal e capilar. A avaliação psicossocial — autoestima, autoimagem, humor e expectativas — também é indispensável.


Detalhes frequentemente subestimados, como sono inadequado ou baixa ingestão hídrica, interferem diretamente na resposta inflamatória e na regeneração tecidual. A segurança começa na anamnese bem conduzida e devidamente registrada, culminando no Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.


O exame clínico transforma dados subjetivos em informações objetivas e mensuráveis. Na estética, ele deve ser direcionado às áreas facial, corporal e capilar, por meio de inspeção, palpação e uso de escalas, testes e equipamentos.


A avaliação facial considera fototipo, hidratação, ptoses, discromias e rugas. A corporal envolve análise de gordura localizada, flacidez, fibroedema geloide, estrias e cicatrizes, associada a perimetria, bioimpedância, peso e IMC. A avaliação capilar investiga couro cabeludo, fios, padrão de queda e espessura.


O uso de dados objetivos reduz a subjetividade, protege o profissional frente à dismorfia corporal e fortalece a relação terapêutica baseada em evidências.


O Diagnóstico de Enfermagem é o momento em que o enfermeiro organiza os dados coletados em linguagem técnica padronizada, permitindo planejamento eficaz e respaldo científico. Na estética, não se trata apenas de tratar sinais visíveis, mas de identificar diagnósticos relacionados à integridade da pele, autocuidado, imagem corporal e riscos associados.


O Planejamento deve ser individualizado, contemplando indicação de técnicas e produtos, programação de sessões, orientações pré-procedimento e alinhamento de expectativas. Planejar é também educar o paciente, promovendo adesão e compreensão de que os resultados dependem da biologia individual e da continuidade do cuidado.


A Implementação corresponde à execução segura do plano terapêutico, com rigor técnico, biossegurança e registro detalhado. O prontuário deve conter informações completas sobre procedimentos, produtos, lotes, técnicas e orientações pós-procedimento.


A Avaliação encerra o ciclo do Processo de Enfermagem, permitindo mensurar resultados, realizar ajustes, programar manutenções e avaliar a satisfação do paciente. O retorno programado fortalece o vínculo terapêutico e consolida a estética como processo contínuo de cuidado, e não como intervenção isolada.


A Enfermagem Estética de alta performance é construída sobre ciência, método e ética. A adoção do Processo de Enfermagem em todas as suas etapas qualifica a prática, amplia a segurança do paciente e fortalece a identidade do enfermeiro esteta como profissional da saúde. A estética segura, previsível e duradoura nasce da organização do cuidado, do respeito à fisiologia humana e do compromisso com a prática baseada em evidências. O futuro da Enfermagem Estética é integrativo, ético e científico.


Camila Machado

  • Enfermeira, Pos-graduada em Educação em Saude-UnB, Pós-graduada em

  • Enfermagem Dermatológica e Estética, Pós-graduada em Ozonioterapia,

  • Mestre em Saúde Coletiva-UnB, Membro Câmara Técnica de Estética COREN DF (2023/25), Membro Comissão Editorial e Científica SOBENFEE, Coordenadora e Docente da Disciplina Enfermagem na Área da Estética-UnB, Doutoranda em Ciências da Saúde-UnB.

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